sexta-feira, 3 de julho de 2009

Hoje faz um ano que parti para uma das viagens mais importantes da minha vida. 365 dias atrás e estava seguindo rumo à Austrália. O que faria lá? Fui participar da Jornada Mundial da Juventude, encontro gigantesco da Igreja Católica que a cada três anos reúne milhares - algumas vezes milhões - de jovens de todo o mundo para celebrar e confraternizar na mesma fé.

Aqueles que me acompanharam durante o colegial e a primeira faculdade, a GV, com certeza não perceberam minhas inclinações religiosas. Nem poderiam, já que depois da minha primeira comunhão (acho que tinha uns 11 anos na época) me afastei quase completamente da Igreja.

Não sei quando e nem o que foi que me fez voltar. Acho que foi quando descobri a filosofia (e não tenho vergonha de dizer que foi com O Mundo de Sofia) e a análise crítica e lógica da realidade.

Incitado a provar a existência de Deus, não tenho meios para fazê-lo, ninguém os tem. Se peço para me provarem que Deus não existe, isso tampouco conseguirão fazer. Se Ele existe ou não é uma questão de crença, não de prova. Eu creio, eu tenho fé.

Minha filha?

Minha filha não terá que seguir religião alguma. Poderá escolher a dela, bem como poderá não escolher nenhuma. Não importa isso. Papai é católico. Mamãe acredita em Deus.

Da minha parte, prefiro que ela absorva mais os nossos valores que a nossa religião. Que respeite os outros, que saiba a importância de ser justa e correta, que tenha o entendimento que por mais que o país inteiro possa vir a ter hábitos culturais indesejados (como achar normal furar fila "já que todo mundo faz e otário é quem fica pra trás" ou guardar lugar em restaurante por quilo, prejudicando os que chegaram antes e não têm onde sentar) ela será diferente, ela saberá aguardar a sua vez.

Que compreenda a vida como um direito alienável, que não pode ser tirado de ninguém independente que seja o motivo. Que participe da democracia como forma de garantia dos direitos individuais, lutando contras as ditaduras e tentações totalitárias.

Que ame o próximo, que pratique a caridade. Que reconheça os seus erros e faça de um hábito a humildade. Que seus pais sejam para ela modelo de ação cidadã e não caricaturas de fervor religioso.

Sua religião virá como consequência, como escolha.

Como católico, sou um pecador. Deixei votos de lado e não segui os mandamentos todos, bem como ainda não realizei um dos sacramentos mais importantes, o do casamento. Isso não me faz menos importante pra Igreja, e o arrependimento verdadeiro reforça os meus laços com a fé.

Como pai, no entanto, não posso errar nem pecar. Já não sou mais eu, agora somos dois. Com Mamãe Paixão três. Agora somos uma família.

2 comentários:

  1. Voce diz que darah a Maria Alice valores e nao uma religiao; entao lhe faco uma pergunta: ela serah batizada?

    beijos conspiratorios ;-)

    Mari Ricci

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  2. Oi Mari! Você vai amanhã? Recebeu o convite? Tá no Brasil?

    A Maria Alice será batizada sim, eu quero, Mamãe Paixão não se opõe. Mas nós dois sabemos que não é isso que define hoje em dia a religião de uma pessoa, não é mesmo? :) Beijão

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