segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Gerações


Tia Dirce esteve aqui no mês passado. Na foto, é ela abraçada à Maria Alice.

Tia Dirce representa uma época que minha filha não viverá: a dos tios vivendo no interior de São Paulo. Quantas viagens não fiz no Natal, Ano Novo e férias escolares para visitar a família que morava em cidades do Vale do Paraíba ou próxima do Paraná?

Guardo até hoje a memória daquelas viagens de carro na qual acordávamos as seis da manhã para evitar o trânsito e meu pai montava uma caminha para nós no porta-malas da Caravan, organizada para caber quatro crianças deitadas a viagem toda.

E quando acordávamos fazíamos jogos, contávamos carros e placas, cantávamos música. Tudo muito divertido e nostálgico, mas que agora dificilmente se repetirá.

As tias estão morrendo. A família, que já era distante, fica cada vez mais e mais sem se ver. Meus irmãos e primos mais próximos ou moram em São Paulo ou muito longe, impossível de se chegar em uma viagem de carro.

Maria Alice viverá outra geração. A época das viagens de avião, do mundo globalizado, do consumo padrão - seja aqui ou em Santiago do Chile. Poderá comprar compotas de doces na padaria da esquina, não conhecerá a prestigiada Maria Quitéria, quituteira de Guaratinguetá.

Outros tempos, outras memórias. As minhas estão vivas ainda, e foram felizes. Façamos as dela também valer a pena!

Nenhum comentário:

Postar um comentário