segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Os Sete Anões



Maria Alice dorme como um bebê, ô coisa boa!

Faz exatas duas semanas que a colocamos no berço, que fica no quarto dela, longe. Até então a Vergueirinha dormia no carrinho ao lado da nossa cama, mas ele já estava ficando pequeno demais.

Na primeira noite a pequena acordou uma vez de madrugada, mamou e dormiu. Nas noites seguintes a mesma coisa, até tudo se estabilizar e o berço passar a ser o seu devido lar.

Como consequência da mudança de local de dormir, ela também começou a ir pra cama mais cedo. Antes era uma, duas horas da manhã todas as noites e comigo a balançando até cair no sono.

Agora, já capota às dez da noite, no máximo onze horas, e dorme mamando ou deitada, sem cansar nenhum dos seus já exaustos pais.

Não pára de chorar o dia todo, continua com sua birra gigantesca - Vovó Vergueiro diz que ela dá muito mais trabalho do que eu dava quando bebê - mas pelo menos nos dá sossego cedo. Nesse final-de-semana, por exemplo, coloquei Mamãe Paixão para dormir no meu colo sexta e sábado, enquanto a ninava e assistíamos TV.

Ô coisa boa....

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Hermosa



Toda mãe entenderá, todo pai que ama seus filhos pensará igual sobre eles: Maria Alice é a mais bonita bebê que já conheci.

Como eu não poderia me apaixonar por esses olhos, pelo seu sorriso, pela sua graça e meiguice? Como não considerar essa pequena garota o objeto mais precioso do mundo? Como não cair na tentação de amá-la a cada instante, de tê-la em meus braços, de niná-la?

O amor para com um filho é para sempre e verdadeiro. Eles são reflexo do que já fomos, expectativas do que ainda podemos ser.

O amor para com um filho é infinito, não se interrompe e não encontra barreiras. É selvagem, é instintivo. É amor na plenitude, não pede nada em troca, apenas faz a entrega.

Um filho completa o homem, nos faz sentir Deus, é para sempre.

Um filho é amor. Ter um filho é amar.

domingo, 22 de novembro de 2009

Volta ao mundo em 90 dias


Pois é, Maria Alice completou seus primeiro 90 dias de vida no último 18 de novembro.

Para comemorar, resolvi fazer uma pequena listinha das nossas principais "descobertas" nesse período sobre como é cuidar de uma pequena criança em casa:

- Ela só pega chupeta se quiser. E Maria Alice não curtiu.
- Em substituição à chupeta, ela curte um dedinho. Puxou a mãe!
- Ainda bem que a banheira tem escoadouro de água. Ia fazer uma falta se tivéssemos que tirar a água por cima da banheira toda vez.
- O carrinho grande serviu só de cama até hoje. Tivemos que comprar um pequeno para passeio.
- O carrinho pequeno custou três vezes menos.
- Aprendi a não parar em farol (semáforo para os paulistas) quando dirigindo com ela. Parar no farol é choro na certa.
- Bebês não te entendem, não adianta mandar parar de chorar.
- Peito de mãe às vezes vale como chupeta também.
- Balançar bebê não pode, mas às vezes só isso salva.
- O sorriso do bebê pode se transformar, logo em seguida, em um choro escandaloso.
- Fraldas pequenas não duram muito, invista nas de tamanho médio.
- Quem tem muitos amigos não compra fraldas tão cedo.
- Em compensação, os lencinhos umedecidos que ganhamos não serviram para nada até hoje.
- Nunca compre algodão de bolinhas coloridas, só brancos. Um dia você vai entender...
- A gente pede muitas coisas no chá-de-bebê. Mas só usa 10% delas.
- Leia todos os livros sobre bebê antes dele nascer. Convença a mãe o máximo possível. Porque depois do nascimento quem manda é ela, não adianta insistir.

Devo ter esquecido de vários. Vou lembrando pelo caminho.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Narcisa

Maria Alice descobriu o espelho,
e ele lhe sorriu de volta.

Um braço veio a frente,
o outro alcançou-o
e o reflexo se fez real.

Mamãe Paixão logo chamou
e os dois a contemplar
Maria Alice a se admirar.

Era ela no espelho, era ela!
E agora é para sempre.

domingo, 15 de novembro de 2009

Parques e Calçadas


Mamãe Patrícia, amiga minha que será mãe de um lindo menino, vai aproveitar duas coisas em Brasília que nós aqui não temos perto de casa: praças e calçadas adequadas.

Desde que Maria Alice nasceu Mamãe Paixão reclama a ausência de praças próximas para levá-la para passear. É verdade, estamos até bem pertos do Parque do Ibirapuera, a 10 minutos de carro, mas não há por aqui nenhum lugar arborizado que consigamos chegar a pé.

É um dos problemas de São Paulo e das cidades grandes que crescem desordenadamente - a falta de áreas verdes para as famílias. Com filhos a gente passa a entender isso melhor.

Mas o que mais nos faz sofrer assim que saímos para passear são as calçadas paulistanas.

Tudo bem que já é público e notório que São Paulo, como provavelmente a maior parte do país, tem calçadas mal feitas, quebradas e etc. Culpa do descaso do poder público e da falta de atenção dos moradores que, por lei, têm também responsabilidade pelo passeio público.

Mas tudo se intensifica na nossa cidade que, além de ter calçadas e asfaltos cheios de buracos, foi construída em um grande planalto. São tantos desníveis e degraus que sair com a Maria Alice no carrinho durante semana é uma aventura digna das selvas africanas.

Eu nunca tinha pensado nisso, até porque acessiblidade para mim dizia respeito apenas aos idosos e deficientes nas ruas, mas a partir de agora lembarei também das milhares de mães com seus carrinhos de bebê andando por aí e tendo todas as dificuldades do mundo nas calçadas e ruas de São Paulo.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Ó do bigode!


Como tradicional paulistano, sou descedentes de europeus: Vovó Andrade era portuguesa.

E como boa portuguesa, era uma grande mulher. Cuidou das três filhas sozinha, manteve a família por anos apenas com a receita da venda de alimentos em feiras livres e depois morou sozinha até falecer.

Vovó também era birrenta e teimosa, mas tinha um enorme coração. Coisas de portugueses.

Não consigo esconder minhas raízes, minhas ações me entregam no dia-a-dia ao cuidar da pequena Maria Alice.

  • Mamãe Paixão pede um cotonete, eu trago um cotonete. Era para trazer dois, um para cada orelha.
  • Mamãe Paixão diz para levá-la para o banho, eu a levo vestida. Era para tirar a roupa antes.
  • Mamãe Paixão pede as seringas dos remédios dela, eu as trago vazias. Era para ter enchido com os remédios.

E por aí vamos...

Comigo as coisas são assim, o que é branco é branco, o que é preto é preto. Me pediu "x", eu trago "x". Não tenho como adivinhar que Mamãe Paixão está querendo algo mais completo se ela não se explicar direito.

Coisas de português...

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Apagão

Maria Alice dormiu às 22:30 na noite do apagão. Foi cedo, muito cedo para ela e para nós. Estava tudo escuro e silencioso, talvez tentemos repetir a dose hoje de novo.

Momentos como esses, ainda que fruto da gigantesca ineficiência da administração pública, são gostosos para gerar bons papos. Para nós - como diria o amigo Durval - foi um momento antropológico.

Aproveitamos para conhecer melhor a Maria Alice. Dormiu cedo, acordou cedo na manhã.

As crianças seguem o ritmo de vida dos pais e ela está seguindo o nosso. Também somos notívagos em casa, eu raramente consigo deitar antes da meia-noite, Mamãe Paixão tampouco. E a pequena se orienta pela nossa rotina.

Certa vez passei alguns dias na casa de uma família que dormia oito, nove horas da noite e acordava as cinco da manhã. Mãe, pai e três filhos. Foi uma loucura, mas uma boa experiência. Eu realmente conseguia aproveitar melhor o dia, mas ai perdia o melhor da noite, o futebol. Aí não dá jeito não.

* * *

Enquete nova no ar. Vamos ao Chile e estamos em dúvida se nos hospedamos em um albergue com quarto exclusivo e banheiro ou ficamos em hóteis regulares. Um hotel três estrelas cobra o dobro pela diária, é uma bela diferença para uma semana de viagem e a grana não é tão grande assim.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Gerações


Tia Dirce esteve aqui no mês passado. Na foto, é ela abraçada à Maria Alice.

Tia Dirce representa uma época que minha filha não viverá: a dos tios vivendo no interior de São Paulo. Quantas viagens não fiz no Natal, Ano Novo e férias escolares para visitar a família que morava em cidades do Vale do Paraíba ou próxima do Paraná?

Guardo até hoje a memória daquelas viagens de carro na qual acordávamos as seis da manhã para evitar o trânsito e meu pai montava uma caminha para nós no porta-malas da Caravan, organizada para caber quatro crianças deitadas a viagem toda.

E quando acordávamos fazíamos jogos, contávamos carros e placas, cantávamos música. Tudo muito divertido e nostálgico, mas que agora dificilmente se repetirá.

As tias estão morrendo. A família, que já era distante, fica cada vez mais e mais sem se ver. Meus irmãos e primos mais próximos ou moram em São Paulo ou muito longe, impossível de se chegar em uma viagem de carro.

Maria Alice viverá outra geração. A época das viagens de avião, do mundo globalizado, do consumo padrão - seja aqui ou em Santiago do Chile. Poderá comprar compotas de doces na padaria da esquina, não conhecerá a prestigiada Maria Quitéria, quituteira de Guaratinguetá.

Outros tempos, outras memórias. As minhas estão vivas ainda, e foram felizes. Façamos as dela também valer a pena!

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Catarse


Torcer é uma grande emoção. Ontem Maria Alice torceu comigo de noite, em um final emocionante de um jogo de futebol.

Muitos já estudaram e outros tantos ainda vão estudar o comportamento da massas em eventos de que geram catarse coletiva. Futebol é um deles, principalmente no Brasil. E eu sou da massa, sofri muito ontem.

Não acho que Maria Alice vai sofrer como o pai. Talvez só em época de Copa do Mundo. Mas vou fazer minha parte para tê-la do meu lado nesses instantes em que parece que o tempo pára e tudo o que queremos é que uma bola entre no gol - ou às vezes não entre, como ontem. E esse apito que não chega nunca.

Ontem eu gritei de felicidade. Maria Alice não entendeu muito, mas gritou junto. Viva o espetáculo.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Três Meses

Quando é que chegam os três meses?

Todo mundo fala que os bebês acalmam depois de um período de três meses, que é quando se forma definitivamente o sistema disgestivo deles e diminuem as dores. É verdade?

Maria Alice tá gritando muito por esses dias. Chora, pede colo, segura o intestino, mais do que até então. Mamãe Paixão é quem sofre com tudo isso, pois passa o dia inteiro com ela sozinha e vive uma rotina que não é legal para ninguém.

Eu queria estar mais ao lado dela, mas a rotina me impede. Sai rotina velha, entra rotina nova. E ainda não conseguirei ficar muito com ela.

Tento confortá-la lembrando que é só uma fase e que está acabando. Vai acabar quando, então?

domingo, 1 de novembro de 2009

Piscinão


Aproveitamos o feriado para dar um pulinho à chácara de Vovô e Vovó Vergueiro em Guararema, cidade próxima a São Paulo.

Maria Alice não se comportou bem, chorou muito e deu um trabalhão pra gente. Mas é compreensível, estava em um ambiente desconhecido e o clima também não ajudou, foi talvez o dia mais quente da vida dela.

O objetivo da viagem era mudar um pouco a rotina. Quando a criança é nova e frágil nossa tendência é ficar um bom tempo em casa, diminuir a vida social e fazer fora apenas o essencial. Essa situação nos protege de acontecimentos inesperados - Maria Alice chorar sem parar, por exemplo - mas também gera tédio: ninguém aguenta ficar na mesma rotina para sempre.

Então partimos, e o resultado final foi muito bom. Eu consegui escrever boa parte do trabalho que tinha que fazer e Mamãe Paixão pegou sol e piscina. Ela adora água, sempre adorou, e o dia estava para peixe.

* * *

Sábado, antes da viagem, levamos Maria Alice no Centro Imunológico do Hospital Santa Joana para suas primeiras vacinas particulares.

Duas injeções nas pernas. Doeu muito, em mim e nela. Depois das injeções a abraçei com força até acalmá-la. Os bebês, nessas horas, dormem.

Não me lembro direito quais foram as três vacinas, Mamãe Paixão sabe melhor que eu. Uma era penta alguma coisa, outra teta e acho que a última era rotavírus. Ou posso ter misturado tudo.

Só sei que a tungada foi de 500 reais. E ainda há mais duas doses de cada uma delas, ai. Mas a nossa tranquilidade não tem preço.

* * *

Na foto acima, eu e Maria Alice no lançamento do mais recente livro de Vovô Vergueiro: Quadrinhos na Educação - Da Rejeição à Prática, da editora Contexto, que fomos prestigiar duas semanas atrás na HQ Mix Livraria.