quinta-feira, 22 de julho de 2010

Ainda a amamentação


O tema da amamentação da Maria Alice gerou tanto debate no blog e no Facebook que não me contive e resolvi escrever mais um post. Agradecimentos desde já à Ângela, Marisol, Letícia, Nanda, Dê Freitas, Consuelo e Mamãe Paixão que de uma forma ou de outra contribuíram no debate, além de todos que leram o texto de ontem e também ponderaram sobre o assunto.

Vejam: o problema é que Maria Alice agora usa a amamentação como chupeta, não como meio de subsistência ou complemento à sua dieta.

Quando ela tem fome, a alimentamos com a comida caseira preparada pela sua mãe e pelo berçário, além de eventuais papinhas que come quando estamos na rua ou sem comida pronta em casa. Além disso, já está tomando leite (nunca na mamadeira, que ela recusa), comendo biscoitos, frutas, tomando sucos, etc.

Do meu ponto de vista, e essa é a minha opinião apenas, a fase fundamental em que é necessário o aleitamento materno já passou, e Maria Alice foi bem provida nesse período. De agora em diante, o ganho para o seu organismo por continuar se alimentando no peito é menor, e não há anticorpos suficientes neste leite que a protegerão de um berçário com 20 bebês!

Está aí, afinal, um ponto importante: um dos motivos da Maria Alice viver com constantes gripes e com a recorrente otite não é a falta de proteção em casa, mas o excesso de contágio em outros ambientes, e é por isso que eu estou ansioso para mudá-la de berçário, o que irá acontecer muito em breve. Se possível, a deixaria sobre cuidados exclusivos de alguém da família, ou de uma babá de confiança, mas essas são não-opções no momento. Ainda assim, acredito que a essa altura do campeonato minha filha já esteve exposta o suficiente a vírus e bactérias, adquirindo um razoável conjunto de anticorpos, e não vejo motivos para continuá-la expondo tanto, ao mesmo tempo em que não quero isolá-la do mundo.

Em paralelo a tudo isso, ela cresce e desenvolve suas habilidades cognitivas, e o peito que antes era apenas fonte de alimentação agora virou ponto de relaxamento e de brincadeira. Só hoje, por exemplo, Maria Alice mordeu três vezes sua mãe, e ainda fez graça com isso!

Ela, felizmente, já entende as broncas. Quem acompanha o blog lembra que eu em certo momento disse que ela ria quando tentávamos ralhar, pois agora ela já chora de verdade, sentida, percebendo as nossas intenções. Porém, não muda sua atitude e repete o erro, mordendo sua mãe novamente. Personalidade forte, eu diria, fruto de um bebê que é geneticamente herdeiro dos seus pais e que demonstra excessivo afeto por todos em qualquer lugar, e que por isso espera esse mesmo carinho em retorno, se assustando quando não o recebe.

Por isso tudo, eu sou da opinião que devemos aos poucos preparar Maria Alice para deixar o leite materno. Parece-me que os benefícios que ele traz tendem a se tornar cada vez mais marginais, até inferiores ao efeito que a contínua amamentação estará gerando na criança, já que agora utiliza o peito como chupeta e brinca com ele mais do que se alimenta, como falado acima.

Não creio que uma suposta interrupção no aleitamento geraria qualquer tipo de efeito na personalidade que minha filha terá daqui em diante, e o motivo para essa opinião é a experiência própria, pois eu fui amamentado por apenas três meses (segundo consta eu que abandonei o peito) e Mamãe Paixão por surpreendentes 15 dias somente!

O mesmo se repetiu com meus irmãos, amamentados por um curto período de vida, e todos hoje pessoas plenas no exercício da vida adulta, que fizeram suas opções conscientemente e são felizes, como nós dois em casa. Assim, considero que a educação familiar pesa mais do que os efeitos da amamentação, e meu maior desafio - e medo - é não conseguir educar minha filha dentro dos parâmetros que considero ideais para que ela se desenvolva e cresça dona do seu próprio nariz e destino.

No entanto, essa é apenas a minha opinião. Mesmo Mamãe Paixão não está convencida a tentar abandonar o aleitamento nesse momento, mas a dor das mordidas de Maria Alice podem fazê-la mudar de idéia em breve.

Desculpem-me, finalmente, pelo texto longo, provavelmente um dos maiores desse período de um ano e meio e quase 250 postagens no blog. Acabei me empolgando,  motivado por quem lê e comenta, e pelo gostoso que é discorrer sobre minha filha e conhecer as experiências dos amigos e amigas. Até daqui a dois dias!

Um comentário:

  1. Que chique! Fui citada aqui, rsrs.
    Imagina JP, que bom que tenha colaborado.
    Eu concordo com você sobre o assunto amamentação. Entendo também a dúvida da mamãe Paixão. É que no fundo, embora todos os poréns, é muito gratificante amamentar o nosso bebê. É uma relação mágica, que causa uma certa dependência para ambas as partes. Mas com certeza vocês, juntos, tomaram a melhor decisão.

    Quanto a pediatra, eu vou querer sim as suas indicações. Decidi marcar várias consultas até achar a pediatra perfeita.

    Boa sorte para nós!

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