quarta-feira, 31 de março de 2010

Acostumou?



No começo, eu ia ao quarto da Maria Alice várias vezes durante a noite. Preocupado, queria saber em que posição ela estava deitada, se estava respirando bem, se estava coberta, etc. Ela dormia pesado, não acordava fácil, então era tranquilo, às vezes até ficava admirando a filhota.

Agora já não faço mais isso. Poucas são as vezes que entro em seu quarto para acompanhá-la dormir, e em geral fico distante apenas ouvindo se respira bem, ou dou uma olhada para saber se permanece deitada corretamente.

Estarei eu mais acostumado com ela? Mais tranquilo sabendo que pela manhã ela estará lá, linda como sempre? Ou apenas com um pouquinho mais de medo de acordá-la, já que seu sono passou a ser mais leve? Eu não entendi ainda direito o que se transformou, mas realmente não vou ao quarto dela como ia antes.

E mesmo assim, a babá eletrônica continua juntando poeira aqui em casa...

domingo, 28 de março de 2010

Cidadania


Eu não sei como Maria Alice vai ser quando crescer. Não sei quais serão os valores dela, as crenças, como vai agir e o que vai fazer de certo ou de errado, enfim, simplesmente não tenho a menor idéia de que filha terei quando ela estiver condições de decidir por conta própria e de seguir seu rumo na vida.

Minha única certeza com relação a isso é que, como pai, posso e devo tentar inspirá-la com as minhas atitudes e meus valores. São pequenas coisas, às vezes detalhes de comportamento, mas que são aquilo que acredito e que faço, e que espero que Maria Alice incorpore como dela. Se o fará, não sei, mas não será por falta de exemplo paterno.

Ela nunca verá o seu pai, por exemplo, incentivando uma briga. Nunca o verá comprando produtos piratas (é sério, é muito raro eu fazer isso) e nem tentando se aproveitar de alguém. Ela provavelmente ouvirá bastante seu pai falar em política, que ele adora acompanhar, mas com legitimidade para criticar quem quer que seja, já que paga seus impostos e jamais tentar corromper alguém com dinheiro ou de qualquer outra forma ilícita.

Ouvirá de seu pai que religião é importante, mas mais importante que isso é existir liberdade de crença. Aliás, se acostumará a vê-lo defender que a liberdade individual é a condição primeira para se exigir qualquer outra coisa para a sociedade, e que não há regra moral alguma que justifique as ditaduras.

Maria Alice verá seu pai separando e reciclando lixo, evitando acumular plásticos, evitando sentar em assentos preferenciais. Provavelmente terá muitas oportunidades de observar seu pai irritado porque as pessoas furam fila, mas ele não, prefere perder mais tempo a se fazer de esperto e desrespeitar quem chegou antes dele ("ainda que todo mundo faça isso" - expressão mais utilizada pelos defensores da prática).

Vai ouvir de seu pai uma defesa incondicionada da vida humana, uma defesa sincera da igualdade entre as pessoas e o combate franco a qualquer iniciativa de se tentar separá-las por qualquer critério e justificativa que seja.

Enfim, vai ver e ouvir muita coisa. Do mesmo jeito que eu vi e ouvi dos meus pais, e com eles aprendi e incorporei como meus muitos valores e atitudes. Da Mamãe Paixão também virão outras influências, algumas parecidas com as do papai, outras próprias, só dela.

Tudo isso talvez ajude a moldar quem Maria Alice será. Espero que ajude. De verdade, para saber, só em muitos anos pela frente. Aí seremos nós a ver.

quinta-feira, 25 de março de 2010

Ativista Cultural


Neste último final-de-semana introduzimos a pequena Maria Alice na vida cultural de São Paulo. De uma só tacada a levamos para ver uma exposição do Chico Science (onde foi tirada a foto acima) e uma outra do Hélio Oitica, ambas no Itaú Cultural, na Avenida Paulista.

Em seguida famos visitar a Casa das Rosas, um casarão muito antigo que sobreviveu à especulação imobiliária e ao desenvolvimento econômico da região da Paulista e hoje é um centro cultural com enfoque em poesia e literatura que toda semana tem saraus e apresentações culturais.

O passeio foi muito legal e mudou um pouco a nossa rotina de sábado, que geralmente consiste em ficar em casa, visitar a família ou sair para passear pela região. Ao mesmo tempo, possibilitou a Maria Alice exercer o seu esporte favorito, que é sorrir para estranhos na rua.

Agora, queremos cada vez mais incluir cultura no desenvolvimento da filhota. Mamãe Paixão já é formada em teatro, com pós em arte-educação (além da outra formação em musicoterapia) e quando ela começar a  um pouco mais de consciência do seu ambiente vamos levá-la a shows de música infantil, peças teatrais, exposições, etc., sempre procurando achar temas e atrações que a interessem e plantem essa sementinha cultural nela.

Foi legal, curtimos bastante a saída cultural. É sempre bom fazer algo diferente e melhor ainda quando se tem a filha amada junto. E foi só a primeira!

terça-feira, 23 de março de 2010

Ducentésimos


Com este texto o Blog do Papai Vergueiro, agora na prática o Blog da Maria Alice, completa 200 posts desde que entrou no ar em fevereiro do ano passado.

Maria Alice, muito feliz pela marca atingida, decidiu vestir-se de Maria Bonita, célebre companheira de Lampião, das histórias que aprendemos na escola e nos livros.

Esse lindo sorriso dela nós só vemos em casa, só vemos quando ela está conosco. No berçário, a pequena fica praticamente muda e tristonha, não se diverte. Com a gente, com as pessoas na rua, ela é só alegria. É um sorriso que me deixa perdido de amor por essa pequena menina.

Vê-la feliz hoje é a razão da minha existência e o que vai me mover para sempre. Mas sou ambicioso, quero mais. Começa-se a falar em um irmãozinho...

*   *   *

Tem pesquisa no blog, sobre o que fazer com os dentinhos nascentes da Maria Alice.

sábado, 20 de março de 2010

Inalador


Noite de sexta-feira, Maria Alice com muita tosse para dormir, e lá vou eu ao supermercado comprar um inalador para ela.

Por um bom período a partir de agora, talvez por alguns anos (foi o que disseram, não me lembro quem), esse será um equipamento que ela terá sempre a disposição para usar. Está sofrendo com resfriado e congestão nasal? Inalador particular, para melhorar a respiração.

Creio que quando eu era pequeno não existia nada disso. Também tenho problemas respiratórios, inspiro ar pela boca até hoje (sim, filhota, Papai sofre com isso e quer mudar, mas já acha que não há mais tempo para aprender a puxar ar pelo nariz), e lembro que cheguei a usar de um equipamento feito em casa para melhorar a respiração. Não era um inalador, mas um sistema de duas garrafas de vidro com água, presas em um conjunto de madeira feito pelo meu pai, onde eu soprava por um tubo em uma delas, que eram interligadas. E sei lá o que acontecia... minha memória não é das melhores, um dia ainda pergunto a Vovó Vergueiro sobre aquilo.

Bem, está em casa o inalador. Não deu muito certo ontem de noite, achamos até que o aparelho está com defeito, produziu ar por algum tempo e depois parou, ainda que continuasse ligado. Resolvendo esse problema, estará a disposição para ajudar a Maria Alice a ter noites de sono mais agradáveis e tranquilas. Do jeito que realmente merece minha maravilhosa filha!

quinta-feira, 18 de março de 2010

Roupa Suja


São três semanas de berçário para a Maria Alice e muitas coisas já mudaram. Hoje, dia em que se completam sete meses que a vi pela primeira vez, resolvi fazer uma listinha das pequenas transformações na vida dos pais quando a filha querida vai para o berçário:

1 - Ela pegou seu primeiro resfriado;
2 - Tivemos que comprar lenços de papel (com o resfriado entendemos o motivo) e algodão em rolo;
3 - O consumo de fraldas cresceu assustadoramente;
4 - Suas roupas sujam muito mais (e vêm molhadas do berçário);
5 - Babador limpo não existe;
6 - Ela chorava muito no começo, agora já se acostumou;
7 - A tia Silvia é a mais legal (e vende queijo);
8 - Maria Alice já conhece o caminho e vai emburrada para o berçário;
9 - O rombo orçamentário cresceu um pouco mais;
10 - Mamãe Paixão tem um de tempo só dela agora, e voltou a trabalhar;
11 - Nada supera o sorriso da sua filha quando você vai buscá-la.

quarta-feira, 17 de março de 2010

Flu


Maria Alice pegou sua primeira gripe no último final-de-semana. Pequena, leve, mas ainda assim gripe e ainda assim assustadora para nós.

Não estávamos preparados e não sabíamos o que fazer. O vírus deve ter originado deste pobre Papai Vergueiro, que teve coriza por uma noite, sintoma que a filhota passou a apresentar logo em seguida. Sua temperatura corporal atingiu quase 38º e Maria Alice irriquieta e sonolenta o dia todo, bem diferente da sua atitude geralmente alegre. Também recusou comer, o que não é tanto incomum dela, confesso.

Como pais de primeira viagem de uma filha gripada pela primeira vez, cogitamos levá-la ao hospital. Desistimos um pouco desestimulados pelos hospitais com pronto socorro de pediatria incluídos no plano de saúde dela e passamos então foi a cogitar alterar o próprio plano. Difícil, caro demais.

Na segunda-feira Mamãe Paixão conseguiu um encaixe de última hora, no último horário, com a pediatra da Maria Alice. As recomendações foram só levar ao hospital se chegar aos 39º de febre, fazer inalação e dar muitos líquidos. Além disso, aguardar pelo menos três dias para ver se a febre voltaria e assim buscar diagnosticar a causa. Remédios? Duas sugestões, para tentar baixar a febre. Não dando certo, hospital também.

Felizmente passou, foi só no domingo e na manhã de segunda mesmo. Maria Alice está bem agora e já voltou à sua velha forma da "pirralha" que tanto amamos. Mas estamos atentos, e também um pouco mais experientes sobre o tema.

domingo, 14 de março de 2010

Cadeirinha ou Cadeirão?


O próximo passo na vida consumista da pequena Maria Alice será a compra de uma cadeira de alimentação que, segundo alguns sites onde pesquisei os preços, chama-se também "cadeirão".

É daquelas cadeiras mais altas que utilizamos nos restaurantes para colocar as crianças pequenas para comer, só que esta tem uma bandeija na frente. Nada muito complexo, nada muito extravagante, mas pelo trabalho que dá atualmente dar papinha para a Maria Alice a cadeirinha parece que vai ser bastante útil.

Há vários modelos no mercado, variando de 100 a 1.000 reais, e devemos optar por um modelo da Burigotto (sempre ela!) que tem valor aproximado de duzentas patacas. A cadeira tem duas bandeijas (uma vai encaixada por cima para facilitar a limpeza e evitar ter que tirar primeiro o bebê para ele não se lambuzar ainda mais na sujeira que fez), encosto com quatro alturas (que eu acho que nunca vamos usar) e é fácil de lavar. Mas não muda a altura e não tem rodinhas.

É mais uma comprinha que se faz necessária e que se junta às outras aquisições que já fizemos para garantir para a filhota - e para nós - um pouco de conforto e facilidade. Vamos ver, espero que ela se adapte bem!

sábado, 13 de março de 2010

Dentucinha


Não coloquem o dedo dentro da boca da Maria Alice! É isso mesmo, atenção, não coloquem o dedo na boquinha da Maria Alice!

Periga machucar quem não seguir essa dica, afinal a filhota já apresenta os seus primeiros dentinhos, sendo que um deles está bastante saliente e parece uma pequena garrinha quando ela morde alguém (ou quando machuca um pouco a Mamãe ao mamar).

Já estava na hora mesmo de aparecerem os dentes da Maria Alice, ainda que eu efetivamente não saiba direto o que tenho que fazer com isso. Escovamos eles, quando crescerem mais? Tomamos cuidado para não sujarem? Quanto tempo até começarem a cair naturalmente?

Só algumas perguntinhas na vida de um pai de primeira viagem. Tudo bem, Mamãe Paixão saberá respondê-las.

quinta-feira, 11 de março de 2010

Melhores Momentos


Mamãe Paixão acha que estamos passando pelo melhor momento da Maria Alice bebê.

Ela quase já não chora mais - apenas reclama muito - e tem boa consciência do que está a sua volta. Adora  brincar, quer se distrair o tempo todo e já complementa o leite materno com papinhas e água. Fica sentada, olha tudo ao seu redor e tentar pegar os objetos que lhe interessa. 

Maria Alice sorri bastante. Sorri na rua, fala com as pessoas, conversa muito com os seus pais. Canta de volta toda vez que estamos cantando para ela e já sabe escolher quais músicas ela gosta e quais não.

Ao mesmo tempo, ainda não sai correndo por aí. Não temos que nos preocupar dela bater a cabecinha em alguma quina ou de tropeçar e se machucar. Ela não some, está sempre nas nossas mãos, e nos abraça quando está com sono.

Gostoso, tudo isso muito gostoso.

segunda-feira, 8 de março de 2010

Desapego


Hoje foi minha vez de levar Maria Alice ao berçário. Mamãe Paixão tinha ido trabalhar e deixou a filhota sob minha responsabilidade. Fiquei com ela um tempo em casa, brincamos, liguei Cocoricó no DVD e fui colocar o lixo para fora, tirar a sujeira do e tomar um café-da-manhã apressado. Partimos os dois então para o berçário.

No Dia Internacional das Mulheres as mamães estavam recebendo rosas, mas não havia nada para os papais. Me parece que não há nada para os papais. Bem, tá certo, tem o Dia dos Pais. Em algum momento, portanto, vou ganhar um presentinho da filhota. Oba!

Hoje, ao deixá-la com as cuidadoras, Maria Alice chorou. Já não tinha a sua mãe por perto e o seu pai a estava entregando para uma desconhecida. Difícil isso.

Tivemos a oportunidade de ficar com nossa filha mais de seis meses. No ritmo em que se vive hoje em dia, isso é praticamente um luxo para poucos. Um luxo gostoso, mas que gera um grande sentimento de dependência, de proximidade.

Quando a deixei senti um vazio em mim. Queria gritar, pedir demissão do emprego e largar tudo para poder ficar com ela nesses dias em que sua mãe tem que trabalhar. Fiquei triste e preocupado, e minha vontade era ligar para o berçário de hora em hora para saber como ela está.

Ela chorou hoje e vai chorar amanhã, quarta, quinta, todos os dias. Vamos deixá-la lá apenas o tempo realmente necessário, nada mais do que isso. Quero Maria Alice próxima de mim o máximo que for possível. Um pai ausente e sem apego é o que ela realmente não vai ter.

Vai se acostumar no berçário, mas vai se acostumar ainda mais com a nossa presença.

domingo, 7 de março de 2010

Mudancinhas


Duas importantes mudanças na vida da Maria Alice, transcorridos seus primeiros seis meses de vida:

- Acabou o refluxo. Já conseguimos tirar totalmente o remédio que ela estava tomando (Motilium) e agora ela raramente sofre desse mal. Para quem teve um pai que, quando bebê, quase foi operado por causa do refluxo, até que a filhota conseguiu passar muito bem por essa fase.

- O cocô dela está sólido ao invés de totalmente líquido, como era antes. Isso é resultado da sua nova alimentação, as papinhas. Essa transformação está causando alguma dificuldade para Maria Alice nesse final-de-semana, ela está sofrendo um pouco e já estamos estudando o que fazer para passar a dor (dar mais líquidos, é o que parece). E temos que avisar ao pessoal do berçário para ficarem atentos.

Em ambos os casos, são situações novas e diferentes para nós. Não são ruins, mas mostram a evolução que a pequena está passando. Evolução que continua ainda por um bom tempo.

quinta-feira, 4 de março de 2010

Distante

Difícil estar longe de casa e da família.

Maria Alice vomitou bastante hoje no berçário, Mamãe Paixão teve que levá-la no hospital. O primeiro centro médico a que chegou tinha sido descredenciado pela Unimed no nível do plano de saúde que temos, e no segundo, o próprio hospital do plano, o Santa Helena, estava lotado e o pediatra a tratou com gigantesco desrespeito e arrogância. Isso tudo em horário de pico no metrô, já que o carro está na oficina mecânica.

Longe, só fui saber disso tudo quando já estavam as meninas em casa.

A filhota está bem, continua alegre e serelepe, não vomitou mais, e a recomendação foi simplesmente deixá-la relaxar. Pode ser uma reação ao contato com outras crianças no berçário, pode ser uma reação normal do organismo dela ao aumento do consumo de comida (frutas e papinhas).

Mas eu estou longe, e com saudades de tudo isso. Falei de Maria Alice inúmeras vezes aqui, e também sobre a Mamãe Paixão. É muito bom ter uma família, é muito bom estar em casa.

Tô voltando filhota!