segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

2 anos de Tarsila


O texto de hoje não é meu, é da poeta Mamãe Paixão (mais uma das suas múltiplas qualidades), uma homenagem ao aniversário da Tarsila!

Dois anos de Tarsila!!!!! Parabéns....

''Olhe bem no fundo dos meus olhos
E sinta a emoção que nascerá quando você me olhar
O universo conspira a nosso favor
A consequência do destino é o amor, pra sempre vou te amar

Mas talvez, você não entenda
Essa coisa de fazer o mundo acreditar
Que meu amor, não será passageiro
Te amarei de janeiro a janeiro
Até o mundo acabar''

(Em tempo: após a publicação deste post descobri que, na verdade, Mamãe Paixão não tinha, desta vez, criado uma poesia nova - é parte de uma música do Nando Reis. A homenagem, porém, permanece!)

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Habemos Domum


Passadas quatro semanas no novo lar, podemos finalmente dizer: Temos Casa!

Os Paixão Vergueiro se mudaram no início de novembro para o lar próprio, cumprindo o tão esperado sonho da classe média. Agora as meninas e o têm um quintal imenso para brincar, e os pais têm uma dívida de 40 anos pela frente.

Bem, vantagens e desvantagens.

Mas a verdade é que a casa nova, apesar de tudo, é muito melhor para todos nós. Também reúne tudo aquilo que eu e Mamãe Paixão queríamos, que é espaço, espaço e espaço. São cerca de 210 metros quadrados em uma residência térrea, perto do metrô, com a vizinhança tranquila (e os mesmos problemas de insegurança das demais vizinhanças, naturalmente).

Para as meninas, muitas novidades: um porãozinho, uma parede de azulejos para pintarem, um quintal espaçoso, um quarto gigantesco, casa de madeira, estante de brinquedos, etc.

Para o Papai aqui, muito espaço para chamar os amigos ao já não tão-tradicional poker de sempre, além de dois banheiros (sim, faz diferença na vida de um homem ter um banheiro para si e outro para as crianças).

Para a Mamãe, a oportunidade de montar a casa da família como bem entender, sem um chato implicando: a casa é dela, a única restrição é financeira, mas a criatividade é livre!

Agora é aproveitar os próximos muitos anos de vida na casa nova. Que não será mais nova, mas será sempre nossa. E lá vamos nós!

sábado, 26 de outubro de 2013

Ela se foi


Mamãe Paixão fez a mala e se foi para Fortaleza. Partiu, me deixando em casa com as meninas. Se foi, se foi... 

...até segunda- feira, quando retornará do Ceará, onde está para facilitar uma sessão de arteterapia durante o Convocc - Congresso Nacional de Voluntários e Instituições de Apoio à Criança e ao Adolescente com Câncer.

Em quase cinco anos desde que se descobriu grávida da Maria Alice, nossa primogênita, é a primeira vez que Mamãe Paixão tem um tempo só para ela, livre de outras preocupações.

Sozinha mesmo, sem as meninas, sem pressa e sem estresse, pelo menos durante o final de semana quando estiver por lá se divertindo e pegando uma praia.

O maior desafio é a Tarsila. Com um ano e dez meses de vida, a caçula ainda mama muito, e acorda durante a noite para mamar. Como vamos fazer nesses três dias sem a Mamãe? Ai sofrimento! Mas, não sei, pode acontecer uma surpresa e ela não dar trabalho algum. E Vovó Paixão também está por aqui para ajudar, o que é um grande alívio.

Bem, vamos ver. Mamãe Paixão estava feliz por ter um tempo para ela, só dela, algo tão impossível nesses últimos cinco anos. É para aproveitar e voltar renovada.

Enquanto isso, nós vamos nos virando por aqui. Vai dar tudo certo!

domingo, 13 de outubro de 2013

Dias de festas


Dia das Crianças aqui em casa é assim: poucos presentes (nenhum esse, eles chegaram antes!), mas muita brincadeira!

Quatro anos de Maria Alice e quase dois de Tarsila. Meninas lindas demais, e levadas da breca!

domingo, 22 de setembro de 2013

Educação, ética e as crianças



Gustavo Ioschpe, que escreve geralmente sobre educação, publicou um artigo semana passada sobre como educar os filhos, reforçando a importância do exemplo e da ética.

Exemplo, exemplo é a palavra chave aqui. Pais têm que dar exemplos aos filhos, e essa é uma das formas mais poderosas de se educar uma criança.

Esperar que educação venha da escola, ou dos desenhos politicamente corretos, é uma bobagem. A chave da educação está em casa, na família.

Leiam o texto, vale a pena. Assino ele embaixo, e por isso mesmo abri uma exceção aqui para um artigo que não escrevi, algo raro em quase cinco anos de blog!

* * *

Devo educar meus filhos para serem éticos?

Quando eu tinha uns 8 ou 9 anos, saía de casa para a escola numa manhã fria do inverno gaúcho. Chegando à portaria, meu pai interfonou, perguntando se eu estava levando um agasalho. Disse que sim. Ele me perguntou qual. “O moletom amarelo, da Zugos”, respondi. Era mentira. Não estava levando agasalho nenhum, mas estava com pressa, não queria me atrasar.

Voltei do colégio e fui ao armário procurar o tal moletom. Não estava lá, nem em nenhum lugar da casa. Gelei. À noite, meu pai chegou em casa de cara amarrada. Ao me ver, tirou da pasta de trabalho o moletom. E me disse: “Eu não me importo que tu não te agasalhes. Mas, nesta casa, nesta família, ninguém mente. Ponto. Tá claro?”. Sim, claríssimo. Esse foi apenas um episódio mais memorável de algo que foi o leitmotiv da minha formação familiar. Meu pai era um obcecado por retidão, palavra, ética, pontualidade, honestidade, código de conduta, escala de valores, menschkeit (firmeza de caráter, decência fundamental, em iídiche) e outros termos que eram repetitiva e exaustivamente martelados na minha cabeça. Deu certo. Quer dizer, não sei. No Brasil atual, eu me sinto deslocado.

Até hoje chego pontualmente aos meus compromissos, e na maioria das vezes fico esperando por interlocutores que se atrasam e nem se desculpam (quinze minutos parece constituir uma “margem de erro” tolerável). Até hoje acredito quando um prestador de serviço promete entregar o trabalho em uma data, apenas para ficar exasperado pelo seu atraso, “veja bem”, “imprevistos acontecem” etc. Fico revoltado sempre que pego um táxi em cidade que não conheço e o motorista tenta me roubar. Detesto os colegas de trabalho que fazem corpo mole, que arranjam um jeitinho de fazer menos que o devido. Tenho cada vez menos visitado escolas públicas, porque não suporto mais ver professores e diretores tratando alunos como estorvos que devem ser controlados. Isso sem falar nas quase úlceras que me surgem ao ler o noticiário e saber que entre os governantes viceja um grupo de imorais que roubam com criatividade e desfaçatez.

Sócrates, via Platão (A República, Livro IX), defende que o homem que pratica o mal é o mais infeliz e escravizado de todos, pois está em conflito interno, em desarmonia consigo mesmo, perenemente acossado e paralisado por medos, remorsos e apetites incontroláveis, tendo uma existência desprezível, para sempre amarrado a alguém (sua própria consciência!) onisciente que o condena. Com o devido respeito ao filósofo de Atenas, nesse caso acredito que ele foi excessivamente otimista. Hannah Arendt me parece ter chegado mais perto da compreensão da perversidade humana ao notar, nos ensaios reunidos no livro Responsabilidade e Julgamento, que esse desconforto interior do “pecador” pressupõe um diálogo interno, de cada pessoa com a sua consciência, que na verdade não ocorre com a frequência desejada por Sócrates. Escreve ela: “Tenho certeza de que os maiores males que conhecemos não se devem àquele que tem de confrontar-se consigo mesmo de novo, e cuja maldição é não poder esquecer. Os maiores malfeitores são aqueles que não se lembram porque nunca pensaram na questão”. E, para aqueles que cometem o mal em uma escala menor e o confrontam, Arendt relembra Kant, que sabia que “o desprezo por si próprio, ou melhor, o medo de ter de desprezar a si próprio, muitas vezes não funcionava, e a sua explicação era que o homem pode mentir para si mesmo”. Todo corrupto ou sonegador tem uma explicação, uma lógica para os seus atos, algo que justifique o porquê de uma determinada lei dever se aplicar a todos, sempre, mas não a ele(a), ou pelo menos não naquele momento em que está cometendo o seu delito.

Cai por terra, assim, um dos poucos consolos das pessoas honestas: “Ah, mas pelo menos eu durmo tranquilo”. Os escroques também! Se eles tivessem dramas de consciência, se travassem um diálogo verdadeiro consigo e seu travesseiro, ou não teriam optado por sua “carreira” ou já teriam se suicidado. Esse diálogo consigo mesmo é fruto do que Freud chamou de superego: seguimos um comportamento moral porque ele nos foi inculcado por nossos pais, e renegá-lo seria correr o risco da perda do amor paterno.

Na minha visão, só existem, assim, dois cenários em que é objetivamente melhor ser ético do que não. O primeiro é se você é uma pessoa religiosa e acredita que os pecados deste mundo serão punidos no próximo. Não é o meu caso. O segundo é se você vive em uma sociedade ética em que os desvios de comportamento são punidos pela coletividade, quer na forma de sanções penais, quer na forma do ostracismo social. O que não é o caso do Brasil. Não se sabe se De Gaulle disse ou não a frase, mas ela é verdadeira: o Brasil não é um país sério.

Assim é que, criando filhos brasileiros morando no Brasil, estou às voltas com um deprimente dilema. Acredito que o papel de um pai é preparar o seu filho para a vida. Essa é a nossa responsabilidade: dar a nossos filhos os instrumentos para que naveguem, com segurança e destreza, pelas dificuldades do mundo real. E acredito que a ética e a honestidade são valores axiomáticos, inquestionáveis. Eis aí o dilema: será que o melhor que poderia fazer para preparar meus filhos para viver no Brasil seria não aprisioná-los na cela da consciência, do diálogo consigo mesmos, da preocupação com a integridade? Tenho certeza de que nunca chegaria a ponto de incentivá-los a serem escroques, mas poderia, como pai, simplesmente ser mais omisso quanto a essas questões. Tolerar algumas mentiras, não me importar com atrasos, não insistir para que não colem na escola, não instruir para que devolvam o troco recebido a mais...

Tenho pensado bastante sobre isso ultimamente. Simplesmente o fato de pensar a respeito, e de viver em um país em que existe um dilema entre o ensino da ética e o bom exercício da paternidade, já é causa para tristeza. Em última análise, decidi dar a meus filhos a mesma educação que recebi de meu pai. Não porque ache que eles serão mais felizes assim - pelo contrário -, nem porque acredite que, no fim, o bem compensa. Mas sim porque, em primeiro lugar, não conseguiria conviver comigo mesmo, e com a memória de meu pai, se criasse meus filhos para serem pessoas do tipo que ele me ensinou a desprezar. E, segundo, tentando um esboço de resposta mais lógica, porque sociedades e culturas mudam. Muitos dos países hoje desenvolvidos e honestos eram antros de corrupção e sordidez 100 anos atrás. Um dia o Brasil há de seguir o mesmo caminho, e aí a retidão que espero inculcar em meus filhos (e meus filhos em seus filhos) há de ser uma vantagem, e não um fardo. Oxalá.

Texto Original: http://veja.abril.com.br/noticia/educacao/gustavo-ioschpe-devo-educar-meus-filhos-para-serem-eticos

domingo, 8 de setembro de 2013

O lar dos Paixão Vergueiro


E os Paixão Vergueiro agora têm casa!

Não que estivéssemos efetivamente procurando, e de fato eu estava bastante tranquilo com nosso atual e confortável lar, mas é que a oportunidade bateu à porta: achamos um imóvel aqui do lado, vazio há anos e cujos herdeiros, que não moram na região, queriam se livrar logo. Assim, o valor que pediam não estava nem um pouco absurdo, bem no limite da nossa capacidade financeira e considerando a necessária perspectiva de 40 anos para pagar...

Bem, o que è feito é feito! O contrato assinamos, o financiamento saiu e as chaves pegamos. A reforma começou e as despesas continuaram.

Esta penúltima parte, das reformas, porém, não é comigo: Mamãe Paixão é que está cuidando, já que não tenho tempo algum para isso. Mas é um bom sinal ficarem as obras sob responsabilidade dela: garantia que não será uma casa convencional e terá o seu "q" de lúdico, principalmente beneficiando as meninas.

Casa grande, colorida e feliz. É o que nos aguarda!

domingo, 18 de agosto de 2013

Ela e eu - 4 anos!


Hoje Maria Alice faz aniversário. São quatro anos, e eu lembro de todos os instantes como se fosse hoje: do aviso de que Mamãe Paixão estava grávida até quando a filhota acordou neste domingo e correu pra nossa cama perguntando pelo seu aniversário.

Maria Alice foi um sonho que se transformou em realidade, e que me fez o homem mais feliz do mundo.

Hoje, vivo por ela e por sua irmã, para fazer delas crianças felizes e boas, que completam nossa família.

É amor demais, para alguém que com certeza merece. Parabéns filhona, e que celebremos todos os dias de nossas vidas, como já fazemos desde o começo. Papai te ama!

terça-feira, 23 de julho de 2013

Parem o tempo!


Maria Alice quase quatro anos; Tarsila um ano e meio; Papai e Mamãe. Essa é a família, e está tudo perfeito.

Agora era a hora do tempo parar. Agora era a hora de ficar como está para sempre, só aproveitando a vida e a família.

Tudo bem que Tarsila ainda não fala muito e que Maria Alice está na fase mal-criada da infância (sem prazo para terminar, nesse caso). Tudo bem que a Tarsila acorde de madrugada e que sua irmã mais velha também venha dormir na cama dos seus pais de vez em quando e tenha seus chiliques de birra.

Não é isso que importa.

O que importa é que elas estão cheias de vida, felizes, puras e inocentes. Elas são nesse momento a maior prova da grandiosidade da obra de Deus, da perfeita complexidade da natureza humana, de como é bom viver plenamente.

Eu sofro por essa perfeição, pois sei que não é eterna e porque desconheço o futuro. Agora é o hora do tempo parar e é só isso que eu queria pedir à vida.

Não vai acontecer, e eu assim aproveito todos os momentos em família como se fossem os últimos. O amor de um pai é para sempre, como sempre deve ser. E eu amo minhas meninas. Pra sempre.

sábado, 2 de fevereiro de 2013

O futuro

Eu não sei o que vai ser do meu futuro. Meu futuro não está escrito, não está no destino, não está nas linhas do tempo. Meu futuro, no máximo, está no porvir.

Como eu não sei o que será do meu futuro, vivo intensamente o meu presente. Curto minha família ao máximo e aproveito todos os instantes com ela. Com as meninas, lembro-as sempre que posso do meu amor, e deixo esses registros, de quatro anos de blog, para que não aja dúvidas.

Mulheres da minha vida: com vocês, para sempre!

domingo, 13 de janeiro de 2013

Minhas bonecas


Um articulista recentemente escreveu que brinquedos não deveriam ter distinção de gênero, e que ele dá bonecas a filhos de alguns amigos. Estranhamente, nenhum grupo feminista se levantou contra este exagero travestido de "intelectualismo moderno", e ninguém apontou o preconceito de gênero explícito no texto original.

Meninas não brincam mais com bonecas que meninos porque os pais (ou o mercado capitalista das indústrias de brinquedos e da propaganda - o velho chavão) assim o querem. Meninas brincam mais com bonecas porque são, afinal de contas, meninas!

Naturalmente, nem sempre é fácil perceber que as meninas nascem com o mesmo instinto materno que suas mães, e os replicam (mimetizando as progenitoras) nas suas bonecas. Para isso, claro, não há experiência melhor do que ter tido duas filhas, e observar a ambas com os olhos de um pai não somente apaixonado, mas também curioso com os estágios do desenvolvimento humano.

As bonecas, assim, são para as meninas muito mais do que apenas um brinquedo comum, mas algo para o qual elas dão grande valor: dão de mamar, simulam xixi, fazem ninar, etc.

Já para os meninos - tá bom, eu não tenho experiência prática aqui, a não ser pelo fato de eu mesmo ter sido, opa, um menino! - bonecas são apenas mais um brinquedo no imenso grupo de todos os outros que já temos.

Se a boneca representa para as meninas algo importante, porque da natureza feminina, dar uma boneca para um menino desvaloriza o papel do brinquedo e desrespeita as mulheres. Boneca é sim um brinquedo de meninas, ao passo que não há um brinquedo específico que possa ser considerado de meninos, pois não há nada de biológico em nós homens que se projete em um brinquedo desde criança.

O erro do articulista, nesse ponto, foi não ter percebido que o preconceito não está em quem dá bonecas para meninas e carrinhos (ou bonecos de ação) para meninos. O preconceito existe nos pais que não permitem que suas meninas brinquem também com carrinhos, se assim o quiserem, e seus filhos brinquem também com bonecas, se essa for a vontade deles.

Uma sociedade melhor (o título original do artigo aqui citado) não se forma pela imposição de uma visão asséptica e totalitária, como essa apresentada de que brinquedos não devem ter gênero. Uma sociedade melhor surge quando entendemos o papel de cada um dentro da sociedade, homens e mulheres, e os respeitemos naquilo que os aproxima e naquilo que os diferencia.

Aqui em casa, por sinal, as meninas têm várias bonecas para brincar. E se quiserem, elas também já têm carrinhos, ratos automatizados, e um pai desesperado para vê-las crescer e poder brincar de tudo - inclusive "brincadeiras de meninos". Tô só esperando!